quarta-feira, maio 24, 2006

Volto já !


Peço desculpa pela interrupção, o blog segue dentro de dias.

Vou fazer um retiro espiritual. E prometo voltar com ideias frescas e arejadas.

Namaste

terça-feira, maio 23, 2006

A formiga


- Não pises essa formiga ! Não a mates !
- Porquê ?
- Deixa-a em paz.
- Porquê ?
- Porque estás vivo. Podes escolher.
- Han ?
- Porque é que tens de escolher esmagá-la ?!
- É só uma formiga !
- E tu ? Tu és o quê ?


---

formiga
do Lat. formica
s. f., Zool., pequeno insecto himenóptero da família dos formicídeos; variedade de pêra; pessoa económica ou muito pequena; baixio.

loc. adv.,
à -: sorrateiramente

segunda-feira, maio 22, 2006

Resposta a Vinicius

Oferece-se amigo

Ser humano, com sentimentos e coração.

Fala e ouve.

Gosta de poesia, dos dias, dos pássaros, do sol e da lua, das canções do vento e da brisa.

Sente amor. Respeita o próximo e a dor. Guarda os segredos que lhe pedem.

Não é de primeira nem de segunda mão, apenas de coração.

Enganou, já foi enganado e aprendeu.

Não é puro nem impuro, é um ser do mundo.

Tem ideais e não receia nem percas nem vácuos.

Tem como principal objectivo ser amigo, de si e dos outros de que puder ser e lhe deixarem.

Entristece-se com a tristeza dos outros e compreende a solidão, tanto a que se procura como a que se teme.

Gosta das crianças, mesmo das que ainda não nasceram.

Gosta do que gosta e gosta que os outros gostem de coisas diferentes e não se comove com as coisas boas, porque as espera e procura.

Conversa sem discursar e ouve para perguntar.

Gosta da água da chuva, das ruas, das árvores, dos fins de tarde e das madrugadas.

Acha que vale a pena viver porque a vida é bela e porque se tem amigos para a viver.

Diz que é bom chorar e que é bom parar.

Bate nos ombros, dá um abraço e lembra que se vive.

Respeito pelos mais novos



Quando olho para uma criança vejo a que fui.
Lembro o que pensava ser quando fosse grande.
Lembro-me das bincadeiras e do que me fazia feliz.

Vejo que ela constrói um mundo, um futuro.
E ri.
Vejo o meu futuro e o meu mundo.
Vejo a esperança. E sorrio.

--

infância
do Lat. infantia

s. f., período da vida do homem que vai do nascimento até à puerícia; meninice; o conjunto das crianças; início.

sexta-feira, maio 19, 2006

Renascer


Cada novo dia é um renascer.

Os que crescem vigorosos na força da juventude, sentem-se mais fortes.

Os que vivem a plena vida, sentem-se a viver.

Para os que julgam iniciar o seu declínio, sentem-se vivos e a tempo de adiar o declínio. (Por vezes esquecem-se de contrariar o declínio e iniciam-no, perdendo a oportunidade que cada dia lhe traz de o combater)

Para os que envelhecem, sobrevivem. Esquecem-se da sua utilidade mas amam a vida.

Para os que vão morrendo ou vegetam, um adiamento ou uma hesitação. O aguardar de um abraço de recomeço.

Mas para todos, um novo dia é sempre mais uma possibilidade de tentar...de poder escolher e recomeçar.

É sempre um dar à luz de nós próprios.

---

renascer
do Lat. *renascere, por renasci
v. int.,
tornar a nascer; rejuvenescer; reaparecer; ressurgir; remoçar

Natural Blues

"Natural Blues"
Moby



.....

oh lordy, trouble so hard
oh lordy, trouble so hard,
don't nobody know my troubles but God
don't nobody know my troubles but God

went down the hill, the other day
my soul got happy and stayed all day

oh lordy...

went in the room, didn't stay long,
looked on the bed and brother was dead

oh lordy...

quinta-feira, maio 18, 2006

Inspiração


Será que aquela inspiração que buscamos para a nossa vida, para os nossos dias vem também com aquela outra fisiológica ? Aquela que fazemos quando puxamos o ar para dentro ? Será suficiente ?

Ou será que com o ar que inspiramos temos de trazer algo mais ?
Será que a teremos de procurar ou pedir ?
Será que ela está tão perto de nós que não a vemos ? Ou antes pelo contrário ?

E se estiver longe, podemos gritar por ela ? Ou falamos-lhe ao ouvido primeiro ?
Ou fala-nos ela ao ouvido ?

Tem nome ? É gente ? É energia ? Ou É...pura e simplesmente.
E por ser, também está mas não sentimos. Mesmo quando ela está.

Temos de abrir a porta e pedir para entrar ? Ou saímos e ela vem connosco ?
Será que é até nós trazida, por nós buscada ou connosco sentida ?

Ou será tudo isto e mais... o que ela nos inspira ?


----


inspiração


do Lat. inspiratione


s. f.,
acto ou efeito de inspirar ou de ser inspirado;

absorção do ar para os pulmões;

sugestão;

entusiasmo criador;

insuflação divina;

estro;

influxo.

---

(imagem de Misha Gordin - www.bsimple.com )

Lift me up

"Lift me up"
Moby



.....


Plain talking
Has ruined us now
You never know how
Sweeter then tough...

quarta-feira, maio 17, 2006

Pessoas e Pontes


As pessoas entram na nossa vida, passam, algumas ficam e outras vão ficando.

Outras agarram-nos.

A outras agarramo-nos e mantemo-nos próximos.

Pelas vidas de outras entramos, passamos e em algumas vamos ficando.

A algumas deixamos pontes, com outras cultivamos pontes.

Sobre outras ainda perguntamos o porquê de terem entrado na nossa vida, da mesma forma que algumas perguntarão o mesmo sobre nós.

Serão estas pessoas páginas da nossa história, co-autores, personagens ?

A quais deveremos deixar pontes, com quais deveremos cultivar pontes ?

Devemos iniciar a obra ou contemplar as pontes que se estendem ?
---

contemplar

do Lat. contemplare por contemplari

v. tr.,
olhar, observar atentamente;
considerar com admiração ou com amor;
ver, admirar com o pensamento;
meditar;
dar;
atender;
remunerar;
fazer mercê;
beneficiar;

v. int.,
meditar profundamente;

v. refl.,
mirar-se.

terça-feira, maio 16, 2006

You are my angel

"Angel"
Massive Attack




You are my angel
Come from way above
To bring me love

---


anjo

do Lat. angelu < Gr. ággelos, mensageiro

segunda-feira, maio 15, 2006

Glycis


Há muitos muitos anos, mais do que a história pode contar, dois jardineiros – Aquila e Apus - juntaram-se para plantar e cuidar de uma flor especial e rara – a Glycis.
Cada um deles tinha outras plantas para cuidar, mas cada um por seu lado ia cuidando dela e fazendo-a crescer.

Por vezes zangavam-se, afastavam-se, e Glycis, com a falta de cuidado, murchava e quase definhava. Mas sempre, em algum momento, um deles retomava o cuidado e a flor ganhava novo vigor. Como que renascendo.

E assim se mantiveram durante alguns anos, fazendo com que a flor se mantivesse sobrevivente.

Um dia, Aquila e Apus conversaram e decidiram juntar-se. Unindo esforços para que Glycis, que outrora plantaram juntos, não mais sobrevivesse mas crescesse em todo o seu esplendor. Como desde o início sonharam.

Assim decidiram e assim fizeram.
Aquila cuidava igualmente de um outro jardim, repartindo esse trabalho com Cygnus – um outro jardineiro. Com quem tinha plantado plantas magníficas e feito com que elas apresentassem um verdejante e auspicioso crescimento.

Aquila acordou com Cygnus o seu afastamento daquele jardim, continuando a prestar a Cygnus todo o apoio que ele precisasse para que as plantas daquele jardim pudessem crescer, florescer e frutificar.

Dedicou-se então, com Apus, a cuidar de Glycis com todo o amor. Nunca se esquecendo do jardim que havia tratado com Cygnus.

Um dia Aquila percebeu que Apus já não se interessava por Glycis como anteriormente se interessava. Fazendo com que Aquila tivesse de cuidar, muitas vezes, sózinho de Glycis.

Durante muito tempo Aquila debateu-se com esta mudança de Apus, enquanto mantinha no seu coração o jardim criado com Cygnus. E a pouco e pouco Glycis foi definhando, morrendo...

Aquila abandonou então o jardim de Apus e durante alguns anos errou sem destino, até que um dia encontrou Cygnus que o convidou a voltar ao seu jardim.

Aquila foi adiando a sua decisão, esperando que Apus mudasse de ideias, mas não podendo esperar mais – por si e por Cygnus – voltou então ao jardim de Cygnus. Para aí de alma e coração cuidar, até hoje, desse jardim com Cygnus.

Muitos anos depois, Aquila cruzou-se com Apus, e ambos conversaram sobre Glycis. E da responsabilidade que cada um teve na sua morte. Apus acusou e Aquila ouviu sem contra-argumentar.

Aquila, não concordando, sabia que aquela acusação e versão mantinha Apus feliz. E que essa convicção iria trazer a Apus a energia para continuar a cuidar do seu jardim.

E assim, Apus e Aquila continuaram até toda a eternidade a cuidar de jardins e flores diferentes. Cada um deles confiante na sua versão do passado e do futuro.

Sistemas e Transferências


Somos seres sociais e interactivos, por muito solitários, autónomos ou independentes que queiramos ser. Ou sejamos mesmo.

Interagimos com outros indivíduos, grupos, situações e informações.
Integramo-nos em sistemas de vida, de funcionamento social, de trabalho ou de desporto.

Aquilo que gostamos ou perante o qual reagimos bem, faz-nos agir de uma forma tranquila e bem disposta noutras circunstâncias, mesmo que adversas.

No entanto, o contrário também acontece. Se algo de estranho ou menos simpático nos sucede, algo que nos faz reagir de uma forma menos positiva, essa atitude e esse comportamento muitas vezes transferem-se para circunstâncias totalmente pacíficas ou neutras.

Apitamos no trânsito, gritamos com os nossos filhos, respondemos de forma rude aos nossos pais, implicamos com o nosso companheiro ou companheira, reclamamos no café, enfim...transferimos as nossas reacções para um contexto que nada tem a ver com o contexto que as gerou.

Isto não é nenhum segredo, mas por vezes esquecemo-nos de contrariar este processo.

sexta-feira, maio 12, 2006

Olhar para além da Realidade



A Realidade chega até nós de forma natural ou é por nós procurada. Conhecemo-la, vivemo-la e por vezes defendemo-la.

No entanto será prudente acautelarmo-nos, sem nunca desconfiar, sobre a Realidade que nos chega e as suas origens. Até porque esse cuidado nos irá ajudar a entendê-la melhor.

quinta-feira, maio 11, 2006

Intuição


intuição
do Lat. intuere

s. f.,
acto de intuir;
percepção rápida;
conhecimento claro e imediato, sem utilização do raciocínio;
predisposição especial para apreender rapidamente determinados conhecimentos;
pressentimento;

Filos.,
contemplação pela qual se atinge em toda a sua plenitude uma verdade de ordem diversa daquelas que se atingem por meio da razão.

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Já seguiste a tua hoje ?

quarta-feira, maio 10, 2006

O Bem activo




Para se estar Bem, fazermos o Bem e sentirmo-nos Bem, precisamos de ser dinâmicos nessa atitude.

E sermos dinâmicos implica contrariar por vezes coisas, situações ou pessoas que não estão tão bem.

Esta atitude pode parecer uma preocupação excessiva com o chamado "Mal" - dando-lhe muita importância e mais dimensão do que mereceria. Mas não é assim...

O Bem implica coragem para o ser, para o estar e para o fazer.
É com essa coragem e com essa força que se combate a sua ausência.

terça-feira, maio 09, 2006

Inveja - Uma outra perspectiva social


É vulgar ouvir, ver e ler que alguns povos - como o português - têm na inveja um mal nacional. Endémico e resistente, como alguns vírus mutantes.

Mas a inveja não é um sentimento nacional genético herdado - é antes um sentimento cultivado para que as massas se conformem, não admirem e não procurem igualar.

Quando ouvir falar da inveja dos portugueses, pergunte-se porque são eles invejosos e porque não admiram eles os outros.

A inveja é um carimbo de consolação criado para acomodar.

sexta-feira, maio 05, 2006

Road to Paradise ?



Road to Nowhere - Talking Heads

Well we know where we’re goin’
But we don’t know where we’ve been
And we know what we’re knowin’
But we can’t say what we’ve seen
And we’re not little children
And we know what we want
And the future is certain
Give us time to work it out

We’re on a road to nowhere
Come on inside
Takin’ that ride to nowhere
We’ll take that ride

I’m feelin’ okay this mornin’
And you know,
We’re on the road to paradise
Here we go, here we go

Chorus

Maybe you wonder where you are
I don’t care
Here is where time is on our side
Take you there...take you there

We’re on a road to nowhere
We’re on a road to nowhere
We’re on a road to nowhere

There’s a city in my mind
Come along and take that ride
And it’s all right, baby, it’s all right

And it’s very far away
But it’s growing day by day
And it’s all right, baby, it’s all right

They can tell you what to do
But they’ll make a fool of you
And it’s all right, baby, it’s all right

We’re on a road to nowhere

O pára-quedas



Charles Plumb, era piloto de um bombardeiro na guerra do Vietnam..
Depois de muitas missões de combate, seu avião foi atingido por um míssil.
Plumb saltou de pára-quedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita.

Ao regressar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisséia e o que aprendera na prisão.

Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem:
“Olá, você é o Charles Plumb, era piloto no Vietnam e foi atingido, verdade ?"

“Sim, como sabe?", perguntou Plumb.

“Era eu quem dobrava o seu pára-quedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?"

Plumb quase se afogou de surpresa e com muita gratidão respondeu:
"Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje."

Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, pensando e perguntando-se:
“Quantas vezes vi aquele homem no porta-aviões e nunca lhe disse Bom Dia? Eu era um piloto arrogante e ele um simples marinheiro."

Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários pára-quedas, tendo nas suas mãos a vida de alguém que não conhecia.

Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à sua platéia:
"Quem dobrou o seu pára-quedas hoje?"
Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante.
Precisamos de muitos pára-quedas durante o dia: um físico, um emocional, um mental e até um espiritual.

Às vezes, nos desafios que a vida nos apresenta diariamente, perdemos de vista o que é verdadeiramente importante e as pessoas que nos salvam no momento oportuno sem que lhes tenhamos pedido.
Deixamos de saudar, de agradecer, de felicitar alguém, ou ainda simplesmente de dizer algo amável.

Hoje, esta semana, este ano, cada dia, procura dar-te conta de quem prepara teu pára-quedas, e agradece-lhe.



Obrigado ao Simão por me ter enviado esta mensagem.

quinta-feira, maio 04, 2006

Libertação


"A libertação da mulher é condição fundamental para a libertação de toda a humanidade"
Karl Marx

Cada vez acredito mais nisto.

A cada dia que passa vendo os homens a dominar o mundo tenho mais esperança na mulher.

A cada dia que passa desespero para que cheque esse dia.

A cada dia que passa mais penso que está na hora.....

Preparemo-nos para abraçar esse dia.

quarta-feira, maio 03, 2006

O dia em que Deus entornou o balde da tinta


Da zona de Carrizo, em plena Califórnia, veio esta foto tirada por Barbara Mathews em Maio de 2005.

Um feito que o homem não poderá igualar.

O dia em que Deus entornou o balde da tinta...
(clique para aumentar)
Obrigado a R.

O rato, a seringa e a chefe

Um amigo meu dizia-me há alguns dias que tinha medo de seringas e de ratos. E outro dizia-me que não suportava a chefe - que já não a podia ver à frente, etc. etc.


Lembrei-me de lhes sugerir uma abordagem budista, propondo a um que encontrasse uma imagem de uma ratazana e uma seringa e ao outro uma foto da sua chefe.


Quando as conseguissem deveriam colocá-las na sua secretária e olhá-las frequentemente com um sorriso.



Chamaram-me de louco e eu passei a pôr uma fotografia deles na minha secretária, entre outras que já lá tinha, e a sorrir para eles sempre que posso.

terça-feira, maio 02, 2006

Mostrar a Alma


Dizia Roberto Benigni a propósito do seu novo filme - "O Tigre e a Neve" - que gostava de ver as pessoas a rir, porque desta forma lhes vê a alma.

Eu cá gosto do Roberto, do que ele faz, do que representa e porque me faz rir de uma forma séria.

E porque gosto dele dou crédito ao que ele diz - normalmente somos assim. E fiquei a pensar se não seria por isso mesmo que não nos riamos mais. Porque mostramos a nossa alma aos outros ? Porque ficamos desprotegidos ? E se não nos riem ou sorriem de volta ficamos constrangidos ?

Será por isso ?

Aprendi com alguém importante na minha vida que quando queremos fazer o bem, o deveremos fazer porque gostamos de fazer. Não fazê-lo porque esperamos uma interacção ou um agradecimento.
O melhor será mesmo não esperá-lo e saborearmos nós próprios o nosso momento, sentindo-nos bem com o bem que fazemos, com o riso que damos ou com o sorriso que mostramos.

E se por acaso - ou por outra qualquer razão - formos correspondidos com um sorriso ou com um agradecimento, aceitar isso apenas como uma agradável surpresa que nos enche ainda mais um coração já sorridente.