segunda-feira, abril 24, 2006

Uns, Outros e Alguém

Agora que começo a escrever, alguns dias depois de ter visto o filme "Crash", veio-me à memória um filme francês que já vi há muito, muito, muito tempo.



(excerto de "Crash")


"Les Uns et Les Autres" de Claude Lelouch, deverei tê-lo visto ainda na minha adolescência, e de repente voltei até ele e às diferentes histórias entrecruzadas que iam sendo contadas.



(apresentação de "Les Uns et Les Autres" )


Tudo isto porque me pareceu ser oportuno a mim próprio relembrar-me da importância que temos na vida dos outros e que os outros têm na minha vida.
Nos sorrisos e nas más caras, nas palavras ou nos silêncios, nos abraços ou nas indiferenças, nas zangas e nas alegrias.

E relembrar-me também de como as pequenas boas coisas que povoam a nossa vida se podem transformar em experiências tão ricas, tão maravilhosamente grandes. E como algumas, mesmo que pequenas, só por si, valeram a pena estar vivo naquele dia.

Relembro-me também das centenas de pessoas que já conheci pessoalmente nesta vida. Daquelas de que fiquei amigo, daquelas com que apenas me cruzei, daquelas que namorei, daquelas que admirei, das que me desiludiram e das que desiludi, das que me respeitam e das que eu admiro, daquelas que amei, daquelas com que aprendi e daquelas que ensinei, daquelas que me amam e que aprendi a amar, daquelas que me odeiam e que lhes agradeço, das que me fizeram mostrar o melhor e aquelas a quem eu mostrei o pior de mim.

Daquelas que ficaram, das que passaram, das que morreram e das que nasceram, das que vimos morrer e das que vimos crescer.

Das que nos fazem perguntas difíceis e que nos fazem pensar, daquelas com que pensamos em conjunto, das outras que nos julgam dar respostas e daquelas que nos fazem duvidar.

E no meio algumas perguntas que nos lançam e nos ajudam a lançar, como dados, mapas, pós de estrelas ou coordenadas - só para saber onde estamos ou para onde vamos ou de onde viemos.

Será que algumas vêm para ficar?
Porque é que umas vêm e vão?
Porque é que mesmo sendo importantes se vão?
Já cumpriram o seu papel?
Já valorizaram ou desbastaram as nossas vidas?
Será que já foram ?
Será que já crescemos com elas ?
Será que já as ajudámos a crescer ?
Será que lhes somos indiferentes ?
Ser-nos-ão indiferentes ?

Lembro-me das milhentas metáforas e histórias, dos comboios e das pontes, dos anjos e dos sábios, do caminho e dos companheiros, das que gostei e das que rejeitei.

Lembro-me das asas da borboleta que batem no Amazonas e da tempestade de vento que ela causa no Sahara.

Lembro-me do ser superior, da energia, do universo, da luz e da força.
Lembro-me da força da fé dos homens e das mulheres, em Deus ou no que eles querem.

Lembro-me da consciência colectiva e de todos sermos um e o um ser todos.
Lembro-me do bem e do mal, do positivo e do negativo, do branco e do preto e lembro-me de pensar noutra forma.

Mas lembro-me, acima de tudo, que tudo isto me foi lembrado por alguém.
E que enquanto me lembrar disso esse alguém vive em mim.
Sempre que assim for esse alguém não passa, fica.



(U2 / Wim Wenders - "Faraway so close")

6 Comments:

Blogger Eb1Eng.ºDuarte Pacheco said...

Muito bonito.

8:26 da tarde  
Blogger Gugas said...

Ainda bem que gostaste.

10:35 da tarde  
Blogger Eb1Eng.ºDuarte Pacheco said...

;)

9:15 da tarde  
Blogger Eb1Eng.ºDuarte Pacheco said...

Espero que não tenha sido ironia...

9:15 da tarde  
Blogger Gugas said...

nada disso ! :|

10:08 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Boa escolha musical e a reflexão... essa é maravilhosa!
Gostei :)

Um bom fim de semana

12:11 da manhã  

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